Como ser corretor de imóveis autônomo: do CRECI ao primeiro cliente
Como ser corretor de imóveis autônomo: a formação que a Lei 6.530 exige, estágio, inscrição no CRECI, estrutura mínima e os primeiros imóveis e clientes.
Trabalhar por conta própria, montar a sua carteira e ser remunerado pelos negócios que você fecha: é isso que atrai tanta gente para a corretagem. Mas ser corretor de imóveis autônomo é uma profissão regulamentada, com formação e registro obrigatórios, e com uma rotina que exige organização desde o primeiro dia.
Este guia percorre o caminho completo: o que a lei exige, como tirar o registro no CRECI, a estrutura mínima para começar e como conseguir os primeiros imóveis e clientes.
O que a lei exige para ser corretor de imóveis
A profissão é regulamentada pela Lei 6.530/1978. O artigo 2º diz que o exercício da profissão é permitido ao possuidor de título de Técnico em Transações Imobiliárias, o curso conhecido como TTI. O artigo 3º define o que o corretor faz: a intermediação na compra, venda, permuta e locação de imóveis, podendo ainda opinar quanto à comercialização imobiliária.
Além do TTI, os conselhos regionais aceitam diploma de curso superior da área. O CRECI-SP, por exemplo, informa que o interessado precisa ter o título de Técnico em Transações Imobiliárias ou diploma de curso superior sequencial e tecnológico de Ciências Imobiliárias ou Gestão de Negócios Imobiliários.
Com a formação concluída, é preciso se inscrever no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (CRECI) do seu estado. Só com a inscrição você pode atuar e anunciar como corretor.
Passo a passo até o registro no CRECI
O roteiro abaixo segue as orientações do CRECI-SP. Os outros conselhos regionais têm processos parecidos, mas confira os detalhes no site do CRECI do seu estado.
- Escolha um curso credenciado. Antes de se matricular, verifique se a instituição está credenciada pelo órgão de educação competente. O CRECI-SP orienta essa consulta: para o TTI, junto ao Conselho Estadual de Educação ou à Diretoria de Ensino; para o curso superior, no Ministério da Educação.
- Registre o estágio, se o curso exigir. Quando o estágio faz parte da carga horária do curso, o aluno deve pedir o registro de estágio no CRECI enquanto estuda.
- Conclua o curso e regularize o diploma. O diploma precisa estar devidamente registrado para ser aceito na inscrição.
- Peça a inscrição principal. Com o diploma em mãos, faça o pedido no site do CRECI, reúna os documentos pedidos no roteiro e pague a taxa administrativa.
- Mantenha a inscrição em dia. A inscrição tem anuidade. Com ela ativa, você recebe o número que vai aparecer em todos os seus anúncios.
Autônomo ou associado a uma imobiliária?
Com o CRECI, você pode trabalhar sozinho, associado a uma imobiliária ou combinar as duas coisas.
- Autônomo: você escolhe a região, os imóveis e os clientes, e fica com a comissão combinada. Em troca, cuida sozinho da captação, da divulgação, do atendimento e da parte administrativa.
- Associado a uma imobiliária: você ganha estrutura, carteira e marca, e divide a comissão conforme o contrato com a empresa. É um bom caminho para aprender o dia a dia com quem já está no mercado.
- Parcerias: mesmo sendo autônomo, você pode fechar negócios com outros corretores. O Código Civil prevê a divisão em partes iguais quando não houver outro ajuste, e o combinado deve ficar por escrito. O guia de comissão de corretor de imóveis explica essa e outras regras.
A estrutura mínima para começar
Você não precisa de escritório para começar, mas precisa de algumas coisas desde o primeiro imóvel:
- Número do CRECI em tudo. A Lei 6.530 proíbe o corretor de fazer anúncio relativo à atividade profissional sem mencionar o número de inscrição. Coloque no perfil das redes, no site, nas placas e nos anúncios.
- Autorização por escrito para cada imóvel que anunciar. A mesma lei proíbe anunciar proposta de transação sem autorização escrita. Os CRECIs costumam disponibilizar modelos de contrato.
- Um endereço profissional na internet. Um site de corretor com o seu nome e os seus imóveis passa credibilidade e reúne tudo em um só link.
- WhatsApp profissional, separado do pessoal, com mensagem de saudação e horário de atendimento.
- Um jeito de organizar os contatos. Quem começa anotando clientes em papel e lembretes soltos perde retornos já no primeiro mês.
- Celular com boa câmera e o hábito de fotografar bem. Veja o guia de fotos de imóveis com celular.
Sobre trabalhar como pessoa física ou abrir uma empresa: a lei permite as duas formas, e o parágrafo único do artigo 3º prevê que as atribuições do corretor também podem ser exercidas por pessoa jurídica inscrita no CRECI. A escolha tem efeito nos impostos, então vale conversar com um contador.
Os primeiros imóveis e os primeiros clientes
O começo é a fase mais difícil, porque é preciso ter imóveis para atrair clientes e clientes para convencer proprietários. Algumas estratégias ajudam a quebrar esse ciclo:
- Escolha uma região e conheça-a a fundo: preços, prédios, comércio, escolas, transporte. Ser especialista em um bairro vale mais do que conhecer um pouco da cidade inteira.
- Avise a sua rede de que você é corretor, em qual região atua e como pode ajudar.
- Capte os primeiros imóveis com proprietários que anunciam sozinhos e com indicações. O guia de captação de imóveis mostra onde procurar e como conduzir a conversa.
- Divulgue cada imóvel com capricho: boas fotos, descrição completa e presença nos canais onde o seu público está.
- Atenda rápido e acompanhe cada contato. Veja como captar clientes sendo corretor de imóveis para montar essa rotina.
Organize a rotina desde o primeiro dia
O corretor autônomo é o próprio gerente. Uma rotina simples evita que as oportunidades escapem: comece o dia pelos retornos combinados, reserve horários fixos para captação e para divulgação, registre cada contato e cada visita e defina sempre o próximo passo de cada negociação.
Um CRM feito para a rotina do corretor ajuda a manter tudo isso em um só lugar. No CorretorJá, você cria o seu site, publica os imóveis e acompanha os interessados. O cadastro é gratuito, e os recursos de atendimento mais completos, como a identificação dos interessados e o funil de negociações, vêm nos planos pagos.
Perguntas frequentes
Posso trabalhar como corretor sem CRECI?
Não. A Lei 6.530 condiciona o exercício da profissão à formação exigida e à inscrição no conselho regional. Também é vedado ao corretor inscrito facilitar o exercício da profissão por quem não é inscrito.
O curso de TTI pode ser feito a distância?
Sim, existem cursos presenciais e a distância. O importante é confirmar que a instituição está credenciada pelo órgão de educação competente, como orienta o CRECI-SP.
Estagiário pode anunciar imóveis?
O estágio é uma etapa da formação e tem regras próprias em cada conselho regional. Consulte o CRECI do seu estado sobre o que o estagiário pode fazer e sob a supervisão de quem.
Quanto ganha um corretor autônomo?
Depende do volume de negócios, da região e do tipo de imóvel, porque a remuneração vem das comissões. As tabelas de referência dos CRECIs indicam os percentuais usuais; o guia de comissão de corretor de imóveis traz os detalhes.
Resumo
Para ser corretor de imóveis autônomo, faça o TTI ou um curso superior da área em instituição credenciada, registre o estágio se o curso exigir e peça a inscrição no CRECI do seu estado. Depois, monte uma estrutura mínima: número do CRECI em tudo, autorização escrita para cada imóvel, presença profissional na internet e um jeito de organizar os contatos. Escolha uma região, capte os primeiros imóveis e acompanhe cada cliente de perto. A organização do começo é o que sustenta o crescimento depois.